
Depois de ter anunciado que o seu lugar estava á disposição do PSD, partido do qual se desfilou, Luís Leandro, anuncia agora que não o pretende fazer.
O deputado municipal que já foi presidente do partido, salienta que todas as posições tomadas por si foram em consonância com os colegas de bancada, e por isso recusa abandonar o lugar.
Contactado pelo ESTADOVELHO, Pedro Coelho presidente da concelhia, sustenta ter tido conhecimento da recusa de Luís Leandro através da imprensa, escusando-se a fazer comentários com o argumento "este é um assunto interno, e como tal deve ser tratado no seio do PSD".
A carta de Luís Leandro enviada à imprensa
Recebi uma carta da Comissão Política do PSD/Azambuja intimando-me a renunciar, "de imediato", ao mandato de "deputado" da Assembleia Municipal.
Tal teria sido deliberado em Assembleia de Secção, embora não me tivesse sido enviada cópia da proposta - se porventura existiu.
Não foram invocadas razões, salvo o facto de eu me ter desfiliado no princípio de Maio de 2008 e, na mesma data, coerentemente, ter colocado o lugar que ocupo na Assembleia Municipal à disposição do PSD/Azambuja.
Então, e mesmo depois das eleições internas subsequentes que o PSD/Azambuja teve, foi-me manifestada a vontade de que, não só permanecesse na Assembleia Municipal, como também interviesse pelo grupo do PSD. Cumpri.
Desde então, e sempre em consonância com o grupo do PSD, firmei posição contra a gestão de Joaquim Ramos e do PS. Por exemplo, só para citar as mais relevantes:
Contra o negócio da instalação de lixeiras às portas de Vila Nova da Rainha e Azambuja
Contra a transformação da EMIA na "empresa de todos os negócios", limitando o controlo democrático sobre a gestão camarária
Contra o negócio da concessão das ruas do concelho de Azambuja para pasto de parquímetros por uma empresa privada - defendendo a solução alternativa que o PSD apresentou às eleições
Em defesa da diminuição de taxas e impostos sobre os cidadãos e as empresas
Contra a satisfação com que Joaquim Ramos e o PS receberam "compensações" do Governo pela deslocalização do aeroporto da Ota que se reduzem a 100 mil euros para o Palácio de Manique (que não dão para nada)
Contra um plano de actividades e um orçamento esbanjadores e endividadores do Município, sem qualquer medida de apoio social na situação de grave crise que se vive
Propondo a devolução do dinheiro cobrado ilegitimamente aos munícipes e empresas pelo aluguer de contadores da água, desde o ano de 2003
Contra o laxismo e ineficácia das políticas do PS que conduziram a uma grave situação de ruptura social na Quinta da Mina, em Azambuja
Contra o negócio de legalidade duvidosa de privatização do abastecimento de água, que ademais dá à Construções Pragosa obras de milhões de euros sem concurso público
Talvez esta nova direcção do PSD/Azambuja discorde destas posições. Mas não o sei, porque até agora ainda não me apercebi que tivessem tomado qualquer posição sobre estas ou quaisquer outras questões.
Também não reuniram com os autarcas do grupo da Assembleia Municipal.
Nem sequer o vice-presidente da Comissão Política, Hugo Caldeira, que integra o grupo da Assembleia Municipal, na sua rara presença, manifestou qualquer discordância com as minhas posições. Aliás, ele também nunca disse mesmo nada.
Inclusive, na discussão do mais importante documento da vida autárquica, Plano de Actividades e Orçamento, vi-me sozinho a discuti-lo contra o PS.
Ontem, o PSD/Azambuja queria que permanecesse na Assembleia Municipal. Hoje, intima-me a renunciar. Amanhã virá pedir-me que renuncie à renúncia?
O mandato dos eleitores é uma coisa séria, pelo que deviam ter sido dadas razões políticas para a intimação que me fizeram.
Não havendo razões políticas, só poderão existir questões pessoais. Se as há, desafio quem as tenha a vir falar comigo cara-a-cara.
Como fui mandatado pelos eleitores com base num programa político, que tenho respeitado, e não por um concurso de personalidades, permanecerei na Assembleia Municipal. Não porque o meu ego precise do lugar ou o meu bolso dos 60 e poucos euros que recebo em cada uma da meia-dúzia de reuniões anuais. Permanecerei na Assembleia Municipal, isso sim, para prosseguir o trabalho de oposição à má gestão que tem sido feita por Joaquim Ramos e pelo PS.
Faço-o porque também foi essa a vontade que manifestada pela maioria dos meus colegas do grupo do PSD, pelos eleitos na vereação da Câmara Municipal e também nas Assembleias de Freguesia, cuja atitude solidária agradeço.
Azambuja, 16 de Março de 2009.
O membro da Assembleia Municipal,
Luís Leandro