
A Feira de Maio de 2010 não irá contar com a Praça de Toiros de Azambuja. A estrutura irá dar lugar a um pavilhão multiusos que não deverá estar pronto a tempo de receber quaisquer corridas no próximo ano.
Este é aliás um assunto já recorrente, uma vez que Joaquim Ramos presidente da câmara de Azambuja já tinha alertado para este facto. O autarca explicou ao Vida Ribatejana que nesta altura a câmara “está na fase final para a preparação dos elementos para lançar uma parceria público/privada” que ficará responsável pela construção do novo equipamento.
O processo é ainda moroso segundo o autarca que lembra a necessidade de “ter de levar ainda à autorização da câmara o lançamento dessa parceria”.
Ramos disse entretanto estar convicto que no próximo mês de Janeiro irá conseguir reunir todos os elementos para levar à aprovação do executivo o lançamento da parceria.
O autarca refere que este é um processo demorado, “quer do ponto de vista financeiro ou da arquitectura do projecto”.
Contudo o edil desabafa que se tivesse “ no orçamento cinco ou seis milhões de euros para afectar à praça de toiros era tudo mais simples, mas nós achamos que existem outras prioridades”.
Como ainda não há parceiro para o projecto, a autarquia não sabe ainda que linhas irão dominar o novo edifício.

Quando questionado sobre as possíveis parecenças com o multiusos “ Arena de Évora” , Joaquim Ramos salienta que este poderá até servir de modelo, mas lembra que qualquer que seja o projecto “será à dimensão de Azambuja” e acrescenta que os azambujenses não deverão “ter veleidades que iremos ter uma coisa como o Campo Pequeno ou com a dimensão da Arena de Évora, que ainda por cima parece ter diversos problemas de ordem técnica”.
O novo projecto que deverá custar entre cinco a seis milhões de euros, deverá ficar situado no local onde está hoje a actual praça de toiros. Todavia, Joaquim Ramos salienta que o novo edifício será maior que o actual e que irá ocupar um maior e mais significativo espaço no Campo da Feira em Azambuja.
O novo projecto deverá ser concluído em 2011, todavia Joaquim Ramos não se compromete com o edifício que poderá ser construído mais tarde “porque são processos morosos e difíceis de apreciar” e dá como exemplo o concurso para a concessão estacionamento em Azambuja, lançado há mais de um ano “ e só agora é que estamos na fase final de apreciação, e ainda nem sei o que vai dizer o tribunal de contas, e todo o conjunto de entidades que se pronuncia sobre estas matérias” refere o edil.
Seguramente sem praça de toiros no próximo ano, Joaquim Ramos refere que serão encontradas outras soluções. O aluguer do equipamento é uma das respostas a dar, para que os Azambujenses não fiquem sem espectáculos taurinos, pelo menos na ocasião da Feira de Maio.
A gestão do espaço estará agora dependente do novo parceiro de construção no multiusos, já que segundo Joaquim Ramos, “o concurso que vamos lançar da parceria implica a concepção, a construção, financiamento e gestão. Embora estejam ressalvados os princípios estão no protocolo que celebramos com a associação Poisada do Campino” que geria anteriormente a Praça de Toiros.
O que diz a oposição

Este é um projecto há muito defendido pela direita na autarquia. Em 2001, António Jorge Lopes enquanto vereador já tinha alertado para a necessidade de requalificar o espaço. Mais tarde e já no mandato anterior, António José Matos também o defendeu, e neste caso com a responsabilidade acrescida de ser o presidente da Poisada do Campino.
Oito anos volvidos e António Jorge Lopes volta à câmara pelo PSD.
Lopes recorda que o PSD foi o primeiro partido “ propor publicamente a requalificação da Praça de Touros num espaço digno, moderno e multiusos, que integrasse a Escola de Toureio, espaços de exposição, áreas comerciais e de restauração”.
O vereador destaca igualmente estar de acordo com a forma encontrada para elaborar o projecto, ou seja a parceria público/privada, lembrando que “noutros municípios, as Praças de Touros têm sido requalificadas e modernizadas em estreita colaboração com empresários e as autarquias locais”
Todavia e porque o país esta a atravessar uma situação económica complicada, António Jorge Lopes considera que esta não deve ser uma obra prioritária para a autarquia lembrando que “tal obra constava dos programas eleitorais do PSD nas Autárquicas de 2001 e de 2005 e não constou do programa de trabalho que apresentei há três meses”
Para o vereador actualmente “não vivemos um tempo de vacas gordas”.

Já António Nobre vereador da CDU na câmara de Azambuja lembra que “não houve qualquer análise sobre a viabilidade/necessidade de uma infra-estrutura dessa natureza por parte dos serviços camarários” a destaca que na sua opinião “a mera valência não justifica a construção de um novo edificado para tal fim, pelo que é questionável o enquadramento com o restante da envolvente urbana, mormente aquela que tem finalidade comercial”.
O Vereador lembra que com esta obra não devem ficar esquecidas outras necessidades “de que padecem outras freguesias do concelho”. António Nobre destaca a titulo de exemplo que na altura da discussão da proposta “ tive oportunidade de chamar à atenção para outra intervenção já assumida pela Câmara, como seja a variante à Rua Francisco Almeida Grandella, em Aveiras de Cima, a qual não mereceu até hoje o devido enquadramento financeiro, estando apenas dependente da viabilidade de um plano de pormenor cujos termos de referência somente agora foram aprovados pelo executivo”.
Quanto ao modelo de financiamento enquadrado numa parceria púbico/privada, o vereador destaca que a CDU sempre foi contra “às ditas parcerias público/privadas” e explica que essas parcerias trazem “um acréscimo de encargos para o orçamento municipal, dada a aleatoriadede do cronograma financeiro da mesma” e explica que “o município assume o encargo com os prejuízos, que já se podem antever, quando, curiosamente, o dito equipamento está previsto para a mesma área de influência do denominado parque temático da Lusolândia”, e acrescenta “tem sido muito recentemente e justamente criticado pelo Tribunal de Contas o esquema das p/p, precisamente por constituírem a única e exclusiva forma de financiamento eleita pelas entidades públicas para levarem a cabo certas e determinadas obras públicas”
No que toca à prioridade do novo multiusos, António Nobre diz que na sua óptica “não é prioritário, não só porque a sede do concelho já muito viu ser nela investido pelo Município, como numa ocasião de crise que atravessamos outras iniciativas poderiam e deveriam ser tomadas como já acima aflorámos e com maior impacto na economia do concelho” lembra António Nobre.
(in jornal Vida Ribatejana)